Friday, July 27, 2007

Como entrar para o mercado de trabalho de tradução em 10 minutos

Olá a tod@s,

aqui está o texto completo da minha palestra no III Simpósio de Tradução do SENAC-Rio, dia 28/07/07:

Em primeiro lugar, para entender o título da apresentação, vamos analisar a oração de duas formas:

1. [Como entrar] para o mercado de trabalho [em 10 minutos]. Aqui, o sintagma preposicional [10 minutos] é um modificador do verbo [entrar], um adjunto adverbial do verbo.

2. Como [entrar para o mercado de trabalho] em 1 hora. Aqui, o adjunto adverbial modifica a oração formada por VERBO + COMPLEMENTO (sintagma preposicional, ou objeto indireto).

Em suma, segundo a análise 1, é possível, em 10 minutos, entrar para o mercado de trabalho de tradução a partir dos passos que descreverei aqui. Em contrapartida, segundo a análise 2, é possível, em 10 minutos, aprender o que seja necessário para entrar para o mercado de trabalho de tradução, o que pode durar 1 dia, 1 ano ou uma vida. A interpretação correta do título é obviamente a segunda. Mas percebam que essa ambiguidade, bem-vinda nos textos propagandísticos como esse e nos literários, não é um bom recurso estilístico em textos técnicos, em que a precisão é sempre a ordem do dia. O tradutor deve, em primeiro lugar, perceber tais ambiguidades e: 1. traduzi-la ou 2. eliminá-la, onde for o caso.

Voltando ao assunto principal, quero começar com uma descrição mais detalhada de quem é o tradutor de hoje.

Quem pode traduzir?

A profissão é reconhecida pelo Ministério do Trabalho (como consta aqui), o que quer dizer que você pode ter a sua Carteira de Trabalho assinada como tradutor, e pode preencher aqueles formulários de loja de eletrodomésticos com tradutor como profissão (muito embora isso lhe dê um grande trabalho para explicar ao lojista o que um tradutor faz).

No entanto, a profissão não é regulamentada, não existe nenhum órgão oficial que aplique uma prova de regulamentação, como fazem a OAB, o CREA, entre outros. Assim, qualquer pessoa, sem nenhum pré-requisito, pode ser tradutor, mesmo sem ter completado o ensino fundamental. Existem sim as provas de certificação, feitas por instituições como a ABRATES, que certifica tradutores e intérpretes em vários idiomas. Mas para que serve uma prova dessas? Se você passa (geralmente a prova é o seguinte: tradução de 5 textos, 4 técnicos e um geral ou literário e uma entrevista no idioma estrangeiro), recebe um certificado de qualificação e tem o direito de colocar seu contato na lista da Associação, que é repassada a empresas e clientes em potencial. Os tradutores possuem ainda um sindicato da categoria, o SINTRA, com um site bastante informativo e uma sugestão de preços de tradução (apenas uma sugestão, pois os sindicatos no Brasil não podem tabelar preços).

Além disso, existem muitas listas de discussão online de tradutores, como a TradBR, a Literatti e os informativos da ATPIESP (a Associação dos Tradutores Públicos de São Paulo), entre outros. O que não falta é informação disponível online.

Bem, para descrever melhor o tradutor de hoje, voltarei 50 anos no tempo para descrever esse tradutor de outrora. Vamos tomar como exemplo um tradutor de medicina da década de 1950 - era sempre um velhinho barrigudo, médico aposentado, com uma vasta biblioteca especializada e grande conhecimento da área, e este era o seu diferecial. Apenas ele podia traduzir textos de medicina, porque o conhecimento técnico era restrito ao grupo profissional.

Hoje, qualquer pessoa pode traduzir medicina, ou qualquer outra área - simplesmente porque o conhecimento é público, acessível online a qualquer hora do dia ou da noite; e, com as ferramentas de pesquisa de que o tradutor de hoje dispõe, é possível traduzir um texto sem nunca ter tido contato à área a que pertence. Às vezes, é possível traduzir um texto sem ao menos entendê-lo (ih... complicou, esse assunto é belicoso, mas vou voltar a ele noutro dia).

O tradutor de hoje, segundo estatísticas, é jovem, inexperiente, com múltiplos recursos bibliográficos e armado com um sem número ferramentas e estratégias de pesquisa online.

Como anda o mercado de tradução?

Com fins didáticos, vamos dividi-lo em 3: o mercado de tradução literária, o de tradução técnica e de outras categorias de tradução.

1. O mercado de tradução literária: Nos últimos 20 anos, o mercado editorial brasileiro vem crescendo absurdamente, por conta, é claro, da expansão comercial das redes de livraria, da oferta de livros online e dos sites de compra. Segundo o SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), no ano de 2004, foram publicados 34.858 títulos no mercado brasileiro e quase 80% deles eram traduções! Se pegarmos qualquer lista de best-sellers em qualquer jornal ou revista nacional, podemos perceber que, constantemente, os 7 ou 8 primeiros colocados em qualquer que seja a categoria (ficção, não-ficção, auto-ajuda) são traduções. A conclusão a que chegamos é a de que o mercado de tradução literária está crescendo muito. Mas... (e na vida há sempre um "mas...") quem traduz literatura? As grandes obras literárias, os clássicos, os Shakespeares, os Borges, os Goethes e os Mallarmés da vida são traduzidos por professores renomados, pesquisadores, escritores, enfim, por aquelas figurinhas de intelectuais (às vezes intelectualóides) carimbadas. O que sobra aos tradutores inexperientes ou aos meros mortais são os best-sellers, que vendem muito e têm atualizações e novas versões constantes. É claro, no entanto, que o que um grande professor de literatura inglesa ganha para traduzir Shakespeare equivale ao que um tradutor comum ganha para traduzir 10 best-sellers (ou mais).

2. O mercado de tradução técnica: Aqui estamos falando de quase 90% do mercado de traduções, portanto, se você quer começar a traduzir, é mais fácil e rápido começar por aqui. O mercado de tradução técnica está subdividido em duas categorias - a de textos que considero "hard", os manuais de máquinas de produção, as especificações de engenharia de produção, as normas de segurança e regulamentações diversas, enfim, textos internos que são lidos por funcionários das empresas; e a de textos "soft", voltados para o consumidor final, como manuais e especificações de produtos, além de textos técnicos voltados para o público leigo. As áreas técnicas de maior fluxo de tradução no mundo são:

Informática e engenharia da computação
Medicina
Engenharia de produção (mecatrônica)
Mecânica (automotiva)
Eletrônica e eletricidade
Economia e finanças

Au concour: textos legais (contratos, documentos diversos). Digo au concour porque, geralmente, estas traduções são feitas por tradutores juramentados, conforme citei num post anterior.

No Estado do Rio de Janeiro, as áreas de maior fluxo são:

Petroquímica
Medicina
Mecânica (automotiva)

E em SP:

Economia & finanças
Engenharias
Informática & localização

3. Localização: Localizar é o contrário de globalizar. As mega-corporações que lançam produtos e serviços no mundo inteiro já chegaram à conclusão de que nem tudo pode ser em inglês, com jeito de americano, os produtos precisam ser personalizados para mercados nacionais diferentes, com gostos diferentes. O termo localização passou a ser usado com o sentido de tradução de sites e software para atender a mercados específicos. Essa localização não é, obviamente, apenas estrutural, mas passa por filtros estilísticos para satisfazer a psique de cada país ou região. Como o Brasil é um dos maiores consumidores de produtos de informática no mundo (só perde para os EUA, Japão, Canadá e Alemanha), a quantidade de texto para se traduzir é absurda e, consequentemente, o número de agências de localização também. Essas grandes empresas de localização (muitas já se tornaram multinacionais) possuem, em seu rol de funcionários e colaboradores, Project Managers, terminólogos, lexicólogos, engenheiros da computação, designers, tradutores e revisores. Todo o trabalho é feito em equipe, seguindo manuais de estilo e glossários específicos elaborados muitas vezes pelo próprio cliente encomendador do serviço. Muitos desses tradutores de sites e software não são registrados em nenhum órgão, não receberam nenhuma formação, e ganham pouco, por conta do uso de Memórias de Tradução (vou falar sobre isso num outro post), e são obrigados a trabalhar com ferramentas digitais especiais e programas diversos.

4. O mercado de tradução midiática: Há uma carência grande de profissionais de legendagem qualificados e treinados no Brasil, por conta da carência de cursos específicos. Os legendadores precisam dominar softwares especiais e ter boa capacidade de síntese, e o serviço de legendagem deve ser sempre muito bem revisado para evitar as famosas "gafes" de legendagem.

5. Tradução para jornais e revistas: Estas são feitas quase sempre por jornalistas sem qualquer treinamento ou formação em tradução. Em sites de sindicatos de jornalistas, é possível encontrar tabelas de preços de serviços que incluem tradução. É mais uma prova de que o tradutor continua "invisível" na sociedade brasileira.

Conclusão sobre o Mercado

É notável o crescimento do mercado de trabalho de tradução, tanto no Brasil como no mundo, por conta da Globalização e da maior participação do Brasil no mercado internacional. Observo também um aumento constante dos cursos de formação de tradutores (livres, técnicos, bacharelados, pós-graduação lato e stricto sensu), mas o mercado ainda é muitíssimo desorganizado, com uma variação incrível de preços, sem profissionais formados e qualificados, sem reconhecimento público.

Com que línguas trabalhar?

Com o inglês, certamente, não preciso comentar o porquê; com o espanhol, que vem crescendo muito ultimamente por conta da maior participação do Brasil no Mercosul; o francês tem pouca demanda, o que me parece estranho se considerarmos o grande número de empresas francesas no Brasil (como a Peugeot e a Renault, só para citar duas); o alemão sofre com a falta de tradutores qualificados, pois há muitas empresas alemãs no Brasil que preferem enviar os textos em inglês porque cansaram de procurar tradutores de alemão; o italiano tem pouquíssima procura, mas ainda assim há muitos tradutores de italiano que ganham a vida (muito bem) com textos da FIAT e da LAVAZZA. No entanto, quero encorajar a todos que lerem este texto a aprenderem as chamadas línguas "eróticas": sueco, dinamarquês, norueguês, russo, tcheco, polonês, japonês, MANDARIM, coreano, hebraico, árabe e afins. Esses tradutores, embora não tenham o mesmo fluxo de tradução dos tradutores de inglês, abocanham uma fatia pouco mordida do mercado de tradução - e assim entram para o seleto grupo de tradutores que traduzem pouco e ganham tão bem quanto seus colegas de inglês e espanhol. Ah, e o MANDARIM está em caixa-alta, e não é porque esbarrei o dedo no Caps Lock.

O professor João Azenha, da USP, disse, certa vez: “O mercado de tradução está em expansão, mas apenas para os bons tradutores, apenas para aqueles com sólida formação, experiência e ética profissional.”

A pergunta agora é: onde posso estudar tradução? Em nível técnico (cursos de 2 anos, com diploma técnico ou certificado), no Rio de Janeiro, o SENAC-Rio e a PUC-Rio são as únicas instituições atuantes. Em nível superior, há a PUC-Rio e o ISAT (Instituto Superior Anísio Teixeira). Em nível de pós-graduação lato sensu, há o próprio ISAT, a PUC-Rio e o SENAC-Rio. Pós-graduação stricto sensu, apenas na UFRJ (Linguística Aplicada/Tradução).

Como trabalhar

1. Freelancer: o tradutor trava contato direto com o cliente, sem intermediários;
2. Freelancer para agências de tradução: a agência, que capta os clientes, terceiriza o serviço, contratando tradutores para serviços avulsos, ficando com (boa) parte do lucro;
3. In-House: tradutores funcionários de agências de tradução ou de grandes empresas que recebem um salário fixo (e comissões) mensal. Grandes empresas como a Petrobrás e a Mercedes possuem um quadro de tradutores in-house;
4. Consultor: prestando consultoria a projetos de tradução de terceiros, com informações técnicas ou linguísticas específicas;
5. Revisor/copydesk: em editoras ou agências de tradução

Quem ganha mais?

Essa pergunta é capiciosa, e leva a uma resposta abstrata. É difícil dizer, por conta principalmente do instável mercado brasileiro. É certo que um tradutor in-house, principalmente de uma grande empresa como a Mercedes, ganha mais (de R$ 2000,00 até mais de R$ 7000,00), mas pode ser que tenha que trabalhar mais que um freelancer. O freelancer, por sua vez, precisa saber trabalhar muito, rápida e eficazmente, precisa saber fazer auto-propaganda, precisa saber conviver com meses de vacas gordas e outros, de magras. O tradutor freelancer que trabalhar para agências ganha menos, mas não precisa investir em marketing para atrair clientes, pois a agência desempenha esse papel. No primeiro ano de serviço, o tradutor pode ter prejuízo, até conseguir uma cartela de clientes razoável, adquirir todo o equipamento necessário e aprender a trabalhar rapidamente.

Como, então, entrar para o mercado?

Vou começar dizendo como NÃO entrar:

1. Enviando e-mail para editoras dizendo: “Olha, seu tradutor cometeu um erro crasso de tradução. O “certo” seria XYZ. Ademais, gostaria de oferecer meus serviços de tradução e envio em anexo meu CV.”

2. Com um cartão de visitas com os dizeres: “Professor de paraguaio. Traduções e versões de textos de todas as áreas.” Professor de idiomas é uma coisa, tradutor é outra. Saber uma língua não equivale a saber traduzir. Quando se aprende um idioma, aprende-se 4 habilidades - ler, escrever, falar e entender. A tradução é uma 5a habilidade, ainda mais complexa, que requer treinamento específico.

Agora, os passos para entrar para o mercado:

1. Formação - procure um curso de formação de tradutores, é a maneira mais fácil e eficiente de começar a traduzir. A palavra curso vem do particípio passado do verbo latino correre, e quer dizer corrido. Um curso é, portanto, uma maneira rápida e prática de aprender, sistematicamente, tudo que você poderia aprender sozinho mais lentamente, quebrando a cabeça e a cara a cada tentativa e erro.

2. Aquisição de equipamentos - os equipamentos básicos para um tradutor são: a) um computador decente, com processador de 2.0 GHz, 1.0 GHz de RAM, HD de 40 Gb, Monitor LCD (sua vista agradece), uma boa impressora, fax, scanner e um teclado ergonômico (seus pulsos agradecem); b) conexão permanente à Internet (não precisa ser muito boa, basta que você tenha acesso à Internet a qualquer momento que precise); c) Programas: Windows XP, Office, Acrobat Reader (para ler arquivos PDF), Solid Converter (para convertê-los para DOC), Babylon (dicionário-glossário indispensável), Subtitle Workshop (para fazer legendagens), TRADOS e Wordfast (programas de memória de tradução, conhecidos como CAT Tools), HTTrack (para fazer download de páginas inteiras da Internet para serviços de localização), Houaiss (dicionário eletrônico da língua portuguesa), Oxford English Dictionary, DRAE ou qualquer outro dicionário eletrônico da língua estrangeira com que trabalha, Micro Power English Works Gold (bom dicionário multilíngue), Project da MS (para gerência de projetos), pinball, freecell e campo minado (porque ninguém é de ferro...) d) Linha telefônica e celular.

3. Prática assistida - obtida nos cursos de formação de tradutores. É a oportunidade que você terá de errar sem ser esculachado por seus clientes. A partir das minuciosas correções dos professores de tradução, você poderá conscientemente lapidar seus métodos e estratégias de tradução até chegar num produto aceitável;

4. Construção da auto-confiança - também obtida durante um curso. Quando o tradutor se torna auto-confiante, usa menos o dicionário bilíngue, revisa poucas vezes o texto traduzido, trabalha mais rápido e melhor;

5. Formação do know-how - A melhor fonte de know-how tradutório são, sem dúvida, os professores de tradução (já que os tradutores profissionais dificilmente cederiam o seu). Esse know-how inclui estratégias de pesquisa, acesso a glossários específicos de muitas áreas técnicas, manuseio de programas de memória de tradução e domínio da utilização dos procedimentos tradutórios;

6. Propaganda e captação de clientes - O tradutor deve possuir idealmente um site em que faça propaganda dos seus serviços, além de um cartão de visitas. É possível também fazer propaganda em comunidades do Yogurte ou em listas de discussão, tendo sempre a preocupação ética de evitar o spam. Deve enviar e-mail a clientes em potencial e visitar empresas que necessitem de serviços de tradução.

O que fazer para fidelizar clientes?

1. Dar desconto? Não. O comerciante que dá desconto em um produto apenas prefere diminuir sua margem de lucro para vender mais. Os tradutores trabalham com produto intelectual. Se um tradutor cobra X para traduzir uma lauda e dá um desconto de 30% para traduzir 100 laudas, de nada adiantará, porque o trabalho que terá para traduzir as 100 laudas será sempre o mesmo. Bons clientes sabem valorizar o preço de serviços bem prestados, os descontos podem até desvalorizar o seu serviço e viciar o cliente.

2. Trabalhar rápido - o tradutor que quer ganhar $$$ precisa trabalhar rápido. Mas a que velocidade? Bem, o que define a velocidade com que o tradutor trabalha é: 1. o grau de familiaridade do tradutor com o assunto do texto; 2. velocidade de digitação; 3. domínio dos recursos de informática; 4. uso de CAT Tools; 5. Domínio de estratégias de busca online; 6. acesso a glossários específicos. O ideal é que tradutores consigam traduzir de 8 a 10 laudas por dia (uma lauda eletrônica é composta de 1000 caracteres sem contar os espaços), mas muitos tradutores conseguem traduzir de 10 a 20 (ou mais) laudas por dia.

3. Respeitar prazos - tradução entregue fora do prazo = cliente perdido. Eu uso sempre o que chamo de "estratégia da CEDAE". A CEDAE, quando precisa efetuar algum conserto nas tubulações de uma rua, avisa que faltará água por 5 dias. Ao final do 2º, no entanto, o fornecimento já está normalizado, o que passa aos clientes uma sensação de rapidez e eficiência. Sacaram?

4. Qualidade - infelizmente, o fator qualidade ainda vem em 4º lugar, mas isso tem aos poucos mudado, e grandes empresas já tem se dado conta que traduções baratas e ruins acabam não valendo a pena, pois precisam muitas vezes ser refeitas.

5. Preço - pode estar na 1ª ou última colocação, dependendo do cliente. É importante saber cobrar um preço justo, tanto para o tradutor quanto para o cliente. Em inglês, existe uma diferença fundamental entre fair price e just price. Acho que prefiro deixar essa discussão para um futuro próximo.

Atualização

Como em qualquer outra profissão, o tradutor deve atualizar-se sempre em simpósios, seminários, cursos de curta duração e treinamentos em novas versões de programas especiais.

É possível viver de tradução?

A resposta é sim. A próxima pergunta é: como você quer viver? A profissão de tradutor no Brasil é como muitas outras, não tem grandes vantagens, nem grandes desvantagens, depende única e exclusivamente do estilo de vida que você quer ter. Listo aqui alguns prós e contras.

Prós:

“Flexibilidade” de horário
Trabalhar em casa
Ser o seu próprio patrão
Custo de manutenção relativamente baixo

Contras:

“Ondulação” do fluxo de serviço durante o ano
Necessidade de constante propaganda

Nos últimos meses, o mercado tem sofrido relativa queda, e muitos colegas meus (e eu) têm tido diminuição no fluxo de traduções, em grande parte devido às grandes agências que "abocanham" a maior fatia do mercado, reduzem os custos, o preço final da tradução e, consequentemente, os ganhos dos tradutores. Observe também um grande influxo de tradutores inexperientes que aceitam fazer traduções por preços mais baixos e, assim, fazem com que o preço de mercado entre em queda constante.

Para você que está começando agora, o percurso natural de um tradutor em formação seria o seguinte:

1º passo: estágio em uma agência de tradução
2º passo: trabalhar como freelancer para uma agência
3º passo: trabalhar como freelancer para os seus próprios clientes
4º passo: abrir sua própria empresa de tradução

Existe, ainda, uma alternativa bastante razoável - a cooperativa de tradutores, um grupo de 21 pessoas trabalhando em prol do mesmo objetivo (esta aí uma boa opção para uma turma de curso de tradução recém-formada).

De qualquer maneira, termino este longo texto com 3 citações que lhe servirão de incentivo:

“Do suor de tua face comerás o teu pão” (Livro de Gênesis) - é a máxima bíblica que exalta o esforço, em detrimento da "sorte", como citei no post sobre os instrumentos musicais (visão protestante vs. visão católica)


“A professional is a man who can do his job when he doesn’t feel like it. An amateur is a man who can’t do his job when he does feel like it.” (James Agate) - um incentivo à formação sistemática.


“I have long been of the opinion that if work were such a splendid thing the rich would have kept more of it for themselves.” (Bruce Grocott) - só para que todos entendamos que traduzir é um trabalho, e não um hobby. Existem coisas muito mais prazerosas a se fazer nas poucas horas vagas.

Desejo boa sorte a tod@s que, salvos todos os contras, decidem embrenhar-se pelas trilhas tradutórias - ermas, árduas, mas que podem ser recompensadoras. Basta persistir.

Grande abraço,

Rafael Lanzetti

ATUALIZAÇÃO (MAIO DE 2010)

Infelizmente o curso técnico do SENAC-RJ não existe mais.

Minha empresa, a Premium Traduções (www.premiumtraducoes.com.br) oferece cursos online de curta e longa duração em formação de tradutores. Oferecemos cursos de legendagem, tradução técnica de diversas áreas, línguas e cultura.

Para obter mais informações, acesse nosso site ou entre em contato pelo e-mail rafael.lanzetti@gmail.com

Um abraço,
Lanzetti



ATUALIZAÇÃO (SETEMBRO DE 2011)


Olá, pessoal, não deixem de notar que o post é de 2007, considerem que muitas informações já estão desatualizadas como, por exemplo, as configurações de um bom PC para tradutores e a lista de softwares necessários.


Um abraço,
Rafael Lanzetti


ATUALIZAÇÃO (JUNHO DE 2016)

A empresa citada na atualização de maio de 2010 não existe mais, pois decidir sair do Brasil há alguns anos. Infelizmente as perspectivas para tradutores no Brasil não são boas, tal qual todas as outras perspectivas de mercado no país. Há cada vez menos agências de tradução, que por sua vez exploram cada vez mais os tradutores, trabalham com pessoal sem formação específica, sem experiência, pagando valores miseráveis. Infelizmente, para ser honesto, preciso dizer que não é uma atividade com futuro promissor.

36 comments:

Anonymous said...

excelente post meu amigo, parabéns...

abraços,


Emerson

Lanzetti said...

Obrigado, meu filho! Quando é que vamos marcar para você brincar com os barquinhos? hehe

Um abraço,
Lanzetti

Anonymous said...

Lanzetti, e o curso de legendagem?
Mayara.

Lanzetti said...

Mayara, será nos dias 14 e 16/08, das 17:00h às 22:00h. Será apenas uma oficina, mas já é um começo. Se você preferir fazer um curso completo, espere até setembro, que vou oferecê-lo. Você tem mais gente interessada? Me contate por e-mail: rafael.lanzetti@gmail.com

Anonymous said...

eu gostaria d saber mais sobre o q precisa para ser tradutor juramentado no japao..obrigada desde ja


gi

Lanzetti said...

Olá, gi, infelizmente não posso te ajudar com informações sobre isso, mas tenho um amigo que pode. Envie-me um e-mail: rafael.lanzetti@gmail.com

caio said...

Ol� sou uma vestibulanda e vou prestar o curso de letras. Gostaria de saber se ele poder� me ajudar a entrar para o mercado de tradu�o?
andei lendo alguns artigos, e em um deles uma tradutora diz que � necessario uma boa bagagem cultaral, o curso me dar� essa base mas n�o sei ser� o suficiente, o q me diz?
abra�os

Lanzetti said...

Olá, tudo bem?

Uma boa coisa que pode fazer é, paralelamente à faculdade, o Curso Técnico de Tradução do SENAC-Rio ou as oficinas que sempre dou no Rio e em Niterói/São Gonçalo. Agora mesmo estou dando uma oficina de cultura que aborda temas atuais e históricos. Se você quiser mais informações, envie-me um e-mail: rafael.lanzetti@gmail.com

Um abraço,
Lanzetti

Anonymous said...

Lanzetti,
achei seu blog no google, pesquisando sobre o mercado de traduções. O que você escreveu me ajudou bastante.
Sou professora de inglês e quero fazer tradução. Sou de São Paulo, por isso estou considerando a Associação Alumni. Algum comentário sobre o curso de lá?
Obrigada

Lanzetti said...

Olá, a Alumni é uma instituição tradicional no ensino de tradução e muito bem recomendada por todos os professores. Conheço alguns professores de lá, como o Reynaldo Pagura, especializado em interpretação consecutiva/simultânea. Muitos professores de lá dão aula também na USP, na PUC etc. O único (grande) inconveniente da Alumni seja talvez o preço...
Um abraço,
Lanzetti

Walter said...

Oi, que trabalho fantástico... me fez pensar muito... e agora quero me capacitar para seguir trabalhando como tradutor, mas capacitado... na verdade encontrei o blog pesquisando lugares para estudar legendagem em São Paulo (pois moro aqui) e quase não tem opções... eu sou argentino e queria me aperfeçoar em Português-Espanhol, tu tem alguma dica que possa ayudar? obrigado e parabens!

Julianna said...

Gostei muito do seu post! Parabéns! Estou lutando para entrar no mercado de tradução e ele me ajudou muito!

Lanzetti said...

Obrigado, Julianna, e boa sorte em sua caminhada!

Fernanda said...

Boa tarde!

Gostaria de saber onde posso oferecer meus serviços de tradução na internet? Ou se tem alguma agência no Rio Grande do Sul em que eu poderia começar a trabalhar??
Já faço alguns trabalhos porém muito pouco...coloco propagandas na Universidade, porém queria trabalhar mais com isso!
Tem algum curso também pra isto? Que oportunize contatos...??

Obrigada!

Aguardo.

Fernanda Cecchetti

Anonymous said...

Boa tarde!

Gostaria de saber onde posso oferecer meus serviços de tradução na internet? Ou se tem alguma agência no Rio Grande do Sul em que eu poderia começar a trabalhar??
Já faço alguns trabalhos porém muito pouco...coloco propagandas na Universidade, porém queria trabalhar mais com isso!
Tem algum curso também pra isto? Que oportunize contatos...??

Obrigada!

Aguardo.

Fernanda Cecchetti

Anonymous said...

Rafael,

Muito bem postado!

Gabriela Galvao
http://gabigal.googlepages.com
Tradutora Inglês, Português e Sueco.

Anonymous said...

Olá! Estava procurando sobre mercado de Traduções e encontrei seu blog! Queria informações sobre cursos Técnico e Superior em Tradução em Espanhol, se há algum em Niteroi/SG/Rio de Janeiro? Quais requisitos necessários para tal curso? Abração!

Mariana Neubra said...

Olá!
Foi muito esclarecedor para mim este post, ainda não tinha achado algo que explicasse tudo assim, nos míííínimos detalhes. A propósito, sou professora de Inglês recém-formada em Letras e estou considerando ampliar meus horizontes através da tradução. A Gama Filho tem o curso de pós-graduação. O que você sabe sobre ele?
Além disso às vezes me sinto meio "crua" e queria participar de umas oficinas e/ou palestras, antes de ingressar em algum curso, você teria alguma indicação?

Michele said...

Gostei muito dos seus comentários.
Estou pensando em mudar de área e a tradução sempre me pareceu interessante.
Você conhece o curso do Daniel Brilhante, no Rio? Gostaria de saber se é recomendável.
Grata,

Lívia

Mônica said...

Adorei a matéria. Esclareceu muitas coisas que eu tinha dúvidas.Tomara que daqui a algum tempo a profissão seja regulamentada.

Cachorro que Late said...

Obrigada por postar!

dimitry/jimfoto said...

caro amico lanzetti, tutti buona
gente...gosto do personagem da novela
paraiso, o nono..mas, bem,vou ao tmea
traduzir: em goiania nao tem interessados em tradução médica, as
agencia que estavam no mercado, fecharam as portas, e os tradutores
pararam de anunciar , tb todos os
clientes achavam caro os preços acima de um real por lauda, isso há seis anos, na época o preço era
R$7,0 a R$9,00 e os clientes estu-
dantes de medicina e médicos resi-
dentes; a associação médica nunca
sabe de nada a respeito da necessidade de traduzir, acabei por desistir de ser tradutor.
abço do dimitry

es

Lanzetti said...

Dimitry, não se esqueça de que o tradutor não possui limitação geográfica. A gente pode trabalhar, de casa, para qualquer agência no mundo. É uma das grandes vantagens da profissão.

Abraço,
Lanzetti

Elida said...
This comment has been removed by the author.
Elida said...

Ola, tenho 34 anos e formacao superior incompleta. Moro na Inglaterra ha 10 anos e fiz um curso de 3 anos na Westminster Uni preparatorio para os exames de traducao do IOL (Institute of Linguists) Passei com merito em 3 areas e ja fiz alguns poucos trabalhos para escolas de ingles aqui. Gostaria de saber se o Diploma in Translation do IOL seria reconhecido no Brasil e se de certa forma, me abriria portas neste mercado. Otimo texto o seu. Obrigada. EB

Anonymous said...

Ótima postagem. Foi muito útil para mim. No próximo semestre começo um curso de tradução e tenho o plano de longo prazo de trabalhar com isso.
Suas dicas e explicações foram ótimas. Obrigada por se dar ao trabalho de fazer esse guia.
Larissa

***palominha***p girl said...

Olá Rafael, adorei o post, nunca tinha visto em nenhuma pagina da internet, tanta explicação para uma profissão que eu vou seguir com certeza... I love English, inclusive informações de quem já é tradutor, pq geralmente essas pessoas não abrem as informações por incompetencia e medo de perderem seus clientes, diferentes de vc, que com certeza é um dos melhores por ter precisamente esta atitude nobre de dividir conosco, que pretendemos seguir a profissão, parabens e muito obrigada.

Metaler said...

Rapaz, obrigado pelo post. É realmente esclarecedor.
Eu estou fazendo curso de Ciências Sociais aqui na região da Grande São Paulo, na Fundação Santo André, mas estou querendo mudar para a área de tradução. Sei falar inglês desde pequeno, sempre tendo muita facilidade com o idioma. Ainda assim me comunico constantemente com estrangeiros através de programas como Skype e MSN, assim como fóruns de discussão.

Mas enfim, você saberia me dizer se você conhece algum curso técnico em tradução aqui na Grande São Paulo? Por enquanto eu só conheço o curso da Metodista, mas é um curso de ensino superior completo (8 semestres). Eu gostaria de fazer algo mais específico.

Valeu!

Lanzetti said...

Em São Paulo há diversos cursos de bacharelado em tradução. No nível técnico há os cursos da Alumni. Um abraço,
Rafael

Neura said...

Olá,
Quero ingressar na area e tenho uma dúvida. Mesmo sem um curso, eu posso fazer traduções simples para agências?Como um treino mesmo...e como estabeleço o primeiro contato?Mando emails, vou direto na agencia?O que é melhor?Espero que veja meu recado!

Obrigada!

Lanzetti said...

Olá, geralmente o processo é este: você envia um e-mail com seu currículo e disponibilidade, valores e quantas palavras de cada área você é capaz de traduzir por dia às agências e elas enviam um teste de 250-500 palavras. Você traduz o teste, envia-o de volta e as agências avaliam o seu trabalho para, se for o caso, contactá-la para trabalhos como freelancer. De preferência, você deve poder emitir notas fiscais.

Um abraço,
Lanzetti

Anonymous said...

Olá, primeiramente quero comentar que gostei muito do seu site, parabéns!
Tentei entrar no site que tem cursos de curta e longa duração na área de tradução, mas não deu certo. Não existe mais o site?

Muito obrigada,
Abraços,

Diana.

Anonymous said...

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Anonymous said...

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